Gestão Humanizada: Como Resolvi o Problema dos Idosos Abandonados no Condomínio
Como gestora condominial, enfrentei um desafio delicado: várias reclamações sobre a ausência dos porteiros na guarita, que afetava diretamente os moradores idosos que vivem sozinhos no condomínio. Ao assumir meu papel de mediadora, ouvi atentamente os dois lados desse conflito e descobri algo muito importante: os idosos, sempre com muita educação e delicadeza, solicitaram pequenas ajudas do dia a dia, como carregar bolsas de compras pesadas ou realizar pequenos reparos em suas residências, que muitas vezes demandam um tempo maior do porteiro.
Percebi que essas solicitações, por mais simples que fossem, despertavam o lado humano e prestativo dos funcionários orgânicos. Contudo, a falta de uma organização adequada e de diretrizes claras dificultava o atendimento rápido e constante a essas necessidades. Para transformar essa situação e garantir que ninguém se sentisse desamparado, decidi envolver toda a comunidade em uma rede de apoio. Solicitei a ajuda dos adolescentes que frequentemente se reuniam próximos à portaria, propondo que se tornassem voluntários para auxiliar esses idosos nas pequenas demandas do cotidiano, criando uma rede de apoio informal, mas extremamente eficaz.
Além disso, para aumentar a segurança e a tranquilidade de todos, atualizei o cadastro de moradores, tornando obrigatório o fornecimento de um contato de emergência de parentes próximos — preferencialmente fi lhos ou responsáveis diretos — para garantir uma comunicação rápida e eficiente em casos de necessidade maior, como uma emergência médica ou um imprevisto.
Em 2016, essa abordagem humanizada foi vista com certo ceticismo no mercado condominial, que prioriza soluções mais tradicionais. Hoje, no entanto, as responsabilidades dos condomínios cresceram exponencialmente, e existem leis específicas que protegem os idosos nesse ambiente. Uma gestão que valoriza o cuidado humano, promove a empatia e incentiva a solidariedade entre vizinhos não só resolve problemas práticos do dia a dia, mas também transforma o condomínio em um verdadeiro exemplo de convivência e respeito para toda a sociedade.
Ter uma gestão verdadeiramente humanizada significa cuidar de todos os moradores, sem exceção, criando um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo, onde ninguém se sente abandonado ou invisível. Essa é a verdadeira essência da convivência em comunidade e o caminho para um lar mais feliz e harmonioso para todos.
Ana Paula Vieira Experiência de 33 anos na área comercial; síndica profissional especializada em condomínios MCMV (Minha casa Minha vida); CEO do Projeto Chá das Síndicas Empreendedoras Brasil e empresária da Fênix Certificadora Digital.
