Quando o síndico profissional não dá certo
Ultimamente tenho atendido, em mentoria, síndicos frustrados e desmotivados com sua atuação em alguns condomínios. Ao fazer uma análise mais detalhada, me deparo com uma situação que está se tornando corriqueira no mercado condominial e talvez você esteja vivendo ela e com esse sentimento de frustração também, por isso quis trazer esse tema para a coluna. Eu, que sou contra o vitimismo do síndico, daquele tem um discurso de que tudo é culpa dos condôminos, do conselho, continuo com essa posição, mas… Temos um fato que precisa ser abordado e que você precisa saber identificar. Vejo síndicos competentes, preparados, técnicos, buscando cada vez mais desenvolvimento e comprometidos em fazer a diferença, mas que se veem diante de conselhos que interferem em tudo, condôminos resistentes e ambientes hostis à gestão e à figura do síndico profissional. Concluí: Nem todo condomínio está pronto para uma gestão profissional. Muitos dizem querer profissionalizar, mas o que buscam, na prática, é um síndico marionete: alguém que assuma as responsabilidades, mas não tinha autonomia para decidir; que execute o que o conselho determina ( mesmo que vá contra critérios técnicos), que siga as normas , aplique as regras (desde que não interfira nos seus comportamentos inadequados) e que esteja sempre disponível, mas sem questionar os limites do papel. Me deparando e analisando as diversas situações trazidas, constatei alguns perfis de condomínios e conselhos.
Há condomínios que ainda funcionam na lógica do síndico morador, aquele que faz favores, resolve tudo pessoalmente e agrada quem grita mais alto ou os “amigos”. Quando chega um profissional com conhecimento técnico e coloca-os em prática, é visto como “não faz o que a gente quer”. Afinal, ele não entra no jogo da amizade, entra com técnica e gestão. Outros vivem um campo de batalha permanente: grupos, disputas de poder, vaidades e alianças e aí vem o “forasteiro” assumir o “poder”. Nesse cenário, qualquer decisão vira disputa.
O síndico é julgado não pelo que faz, mas por quem parece apoiar. Há também os condomínios que terceirizam toda a responsabilidade. Os condôminos não se envolvem, o conselho não acompanha, mas cobram, e quando algo dá errado, a culpa é sempre do síndico e aí começam as discussões e o falatório. E o modelo mais encontrado é o dos autoritários. O condomínio contrata o síndico profissional, mas querem dirigir sua atuação como se fosse um funcionário do conselho. Passam “tarefas”, questionam, revisam, interferem. Criam um ambiente de desconfiança e um controle que dificulta a atuação do profissional. Muitos condomínios querem efi ciência, mas não querem mudanças. Querem transparência, mas não querem se ver no espelho quando ela revela o que está errado. Resultado: O condomínio troca de síndico várias vezes, acumula frustrações e constrói uma reputação de “lugar difícil”. Mas o problema não está nos síndicos, está na mentalidade dos condôminos. Pois uma gestão profissionalizada exige maturidade para compreender que o papel do síndico é liderar tecnicamente, o que nem sempre irá agradar emocionalmente. Sem alinhar expectativas, sem respeitar a autonomia do profissional e sem evoluir na cultura de gestão, não há síndico que dê certo.
Esteja atento ao histórico do condomínio e pondere o que vale a pena para você. É um síndico que deseja transformar e é focado em resultados? Provavelmente esse perfil de condomínio não é para o seu perfil profissional. Aqui faz muito sentido a frase: Cada condomínio tem o síndico que merece.
Um grande abraço.
Ariane Padilha é Professora, Psicóloga, Especialista em Gestão de Recursos Humanos e Marketing, Consultora e Síndica Profissional da Fator G Condomínios. Professora e Coordenadora do Curso De Pós Graduação em Gestão Condominial/FAMAQU
