NR 1, Saúde Mental e Condomínios: o novo desafio da liderança do síndico
2026 chega com mais um novo desafio na Liderança do Síndico. A partir de maio/2026, o Ministério do Trabalho inicia a fiscalização e a aplicação de multas a todos os empregadores que não cumprirem as novas exigências da NR1 (contemplar os riscos psicossociais, isso significa – cuidar da saúde mental dos colaborares).
A norma não é nova, criada em 1978, a NR 1 sempre teve como objetivo a prevenção de riscos no ambiente de trabalho, mas antes se preocupava com os acidentes de trabalho, os riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. O que mudou não foi a essência da norma, mas a compreensão de que o trabalho também adoece pelas relações, pela pressão excessiva, pela sobrecarga e pela forma como as pessoas são tratadas. Ao incluir de forma explícita os riscos psicossociais, a NR 1 se atualiza com o mundo atual e convida gestores a assumirem um papel mais consciente e responsável na liderança das equipes e isso inclui os síndicos também.
Mais do que nunca os Síndicos precisam estar atentos e preparados para lidar com temas como saúde mental, stress, relações de trabalho e isso se torna estratégico em uma gestão. O síndico torna-se um agente de prevenção em saúde mental (logo ele que precisa cuidar tanto da sua), prevenindo muitos riscos para o condomínio. Conflitos constantes, assédio moral (por parte do próprio síndico e dos moradores), sobrecarga de trabalho, pressão excessiva e falhas de comunicação não são apenas “problemas do dia a dia”. São riscos ocupacionais que precisam ser identificados, avaliados, controlados e documentados.
A NR 1 está em vigor e os condomínios já estão sujeitos à fiscalização e aplicação de multas em caso de omissão, especialmente quando houver adoecimento, denúncias, afastamentos ou acidentes relacionados ao trabalho. Não se trata mais de prevenção opcional ou pelo estilo pessoal do síndico/gestor, mas de responsabilidade legal e ampliando o olhar, uma responsabilidade social os para todos os empregadores.
O condomínio, como empregador ou tomador de serviços, é responsável por garantir um ambiente de trabalho seguro também do ponto de vista emocional. Isso inclui funcionários próprios e, de forma solidária, os trabalhadores terceirizados.
Na relação com empresas terceirizadas, o papel do síndico ganha uma grande relevância. O síndico precisa assegurar que o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) contemple os riscos psicossociais, exigir documentação das terceirizadas, criar canais de escuta e denúncia, e promover práticas de liderança que reduzam as tensões e conflitos.
Com funcionários próprios/orgânicos, contratados pelo condomínio, o síndico é responsável pela avaliação dos riscos, desenvolvimento e acompanhamento do plano ( que poderá incluir ações de cuidado, comunicação clara e assertiva, organização do trabalho, padronização de procedimentos, rotinas, escuta e acolhimento, prevenção ao assédio, treinamentos, valorização e reconhecimento, reuniões, entre outras) através de profissionais especializados para isso. Como líder, terá o desafio de não apenas cumprir uma norma, mas de promover um ambiente e relações saudáveis entre equipe e com os moradores.
Liderar hoje é, também, saber proteger pessoas.
Cumprir a NR 1 é obrigação. Cuidar da saúde mental das equipes é liderar com consciência e responsabilidade e isso faz toda a diferença no desempenho da gestão e do condomínio.
Esteja preparado para mais esse novo desafio.
Um grande abraço.
ARIANE PADILHA – Professora, Psicóloga, Especialista em Gestão de Recursos Humanos Marketing, Consultora e Síndica Profissional da Fator G Condomínios. Professora e Coordenadora do Curso De Pós Graduação em Gestão Condominial/FAMAQUI.
