Sindicatura jovem: O novo capítulo da gestão condominial
Quem olha hoje para os grandes empreendimentos verticais, com suas portarias modernas, academias equipadas, salões gourmet e até espaços para coworking, talvez não imagine que a história da vida em condomínio começou de forma bem diferente. Havia um tempo, não muito distante, em que os prédios eram discretos, funcionais, e a convivência se resumia a cumprimentos no elevador e olhares desconfiados nas reuniões de assembleia. Os espaços comuns, quando existiam, pouco incentivam a socialização. Corredores longos, halls estreitos e o velho salão de festas com cortinas pesadas e cadeiras de plástico compunham o cenário típico.
Nessa época, o síndico era geralmente o aposentado prestativo do prédio. Assumia a função com boa vontade e senso de responsabilidade cívica. A gestão era feita no caderno, os boletos, ou cheques, recolhidos de porta em porta, e a administração, por mais artesanal que fosse, funcionava na base da confiança e da vizinhança” – relembra Larissa Dharma, síndica profissional.
Mas os edifícios mudaram, e com eles, mudaram também as demandas da função.
Com o surgimento das piscinas, os síndicos passaram a ter que entender de PH, bombas hidráulicas e manutenção periódica. De ‘zelador de conflitos’, o síndico virou quase um técnico multifunções. E não parou por aí. Os condomínios começaram a se parecer com clubes. “E quem administra, hoje, precisa saber lidar com contratos, legislações trabalhistas, responsabilidades fiscais e… até problemas de convivência dignos de um reality show” – afirma Larissa Dharma.
As mudanças de leis e normas é mais um complicador. Mais recentemente, “entraram em cena as normas regulamentadoras, como a NR-1, a exigência crescente por gestão de pessoas, a mediação de conflitos, os cuidados com doenças emocionais e a cobrança por uma liderança cada vez mais estratégica” – completa a síndica.
Nesse novo cenário, emerge uma figura até então rara: o síndico jovem.
Com menos de 40, às vezes até menos de 30, esses profissionais têm chamado atenção não só pela energia, mas por trazerem uma visão moderna da gestão. “Eles sabem lidar com tecnologia, falam a linguagem das redes, entendem de compliance, leem relatórios e, mais importante, querem fazer diferente”, diz Dharma, que completa: “o que garante economia de tempo, transparência e novas perspectivas de gestão”.
Muitas vezes, esses jovens gestores chegam com especializações, certificações e cases de inovação. Propõem assembleias híbridas, “comunicação transparente por plataformas digitais e estratégias de convivência que realmente funcionam, porque compreendem que condomínio é, antes de tudo, sobre gente” – indica a síndica.
O que exige a gestão de um condomínio hoje?
A “sindicatura jovem “não é sobre idade. É sobre postura” – vaticina Dharma. É sobre reconhecer que gerir um condomínio exige cada vez mais técnica, inteligência emocional e visão de futuro. “E que talvez, só talvez, aquele síndico de camiseta preta e celular na mão seja, na verdade, o profissional mais preparado para construir uma boa convivência” – fala Dharma, se referindo ao síndico jovem. Porque, no fim das contas, o condomínio ideal não é aquele onde ninguém reclama, mas sim aquele onde todo mundo é ouvido. E para isso, uma nova geração tem muito a ensinar.
O que eles trazem 45 é repertório técnico
Esses jovens não se intimidam diante dos números e tampouco fogem de temas espinhosos, como litígios, inadimplência ou conflitos interpessoais. Ao contrário: trazem repertório técnico e sensibilidade emocional para lidar com as dores invisíveis da coletividade. Não raro, atuam como síndicos, mediadores, comunicadores e estrategistas, tudo ao mesmo tempo” – ressalta Dharma, a síndica.
O que é importante: experiência, formação ou força de vontade?
Mas, apesar do avanço, é importante lembrar: a “sindicatura” ainda não é uma profissão regulamentada. Ou seja, qualquer um pode se autointitular síndico profissional. Nesse ponto, a juventude pode até levantar dúvidas iniciais, mas não deve ser critério de julgamento isolado” – reforça a perspectiva, a síndica, que considera: “o que pesa mesmo é o preparo”. Cabe aos condomínios, portanto, conhecer previamente o histórico, as referências, a formação e as ideias do candidato ou da candidata à gestão.
“Eles sabem lidar com tecnologia, falam a linguagem das redes, entendem de compliance, leem relatórios e, mais importante, querem fazer diferente”
“Comunicação transparente por plataformas digitais e estratégias de convivência que realmente funcionam, porque compreendem que condomínio é, antes de tudo, sobre gente”
Larissa Azevedo
CEO da Dharma Condo, formada em Negócios Imobiliários e pós-graduanda em Direito Condominial. Corretora de Imóveis credenciada pelo CRECI-RJ e certificada pelo IREM® (Instituto de Gestão Imobiliária), atua como palestrante e Síndica Profissional, acumulando mais de 10 anos de experiência em gestão de condomínios.

Ver a Sindicatura Jovem ganhando espaço mostra que o mercado está amadurecendo para unir a energia da inovação com a seriedade que a função exige. Parabéns por trazerem luz a esse novo capítulo do setor!