Crescer ou apenas acumular condomínios?
O mercado da sindicatura profissional continua crescendo e, com ele, surge uma pergunta importante: crescer ou apenas acumular condomínios? Embora essas duas situações pareçam semelhantes, existe uma diferença significativa entre elas. Gerir condomínios ou pegar chaves? Vejo profissionais preocupados em aumentar sua carteira de clientes, conquistar novos contratos e expandir sua atuação. O crescimento faz parte de qualquer atividade profissional.
O problema surge quando ele acontece sem estrutura para sustentar e sem levar em conta a responsabilidade envolvida. Diferente de outros negócios, a sindicatura possui uma característica muito particular: a responsabilidade legal, civil e administrativa está concentrada na figura do síndico eleito. Existe um CPF responsável por cada condomínio. Existe uma função/papel/responsabilidade que não podem ser simplesmente delegada. Por isso, sempre defendi que a sindicatura, em sua essência, não é escalável. Mas isso não significa que o síndico não possa crescer. Significa apenas que o crescimento precisa acontecer de forma planejada, estruturada e sustentável. Um modelo de negócios viável e sustentável. Ao longo desses anos, acompanho a evolução do mercado e dos profissionais que atuam, percebi que muitos deles acabam assumindo funções demais.
Além da gestão condominial, tornam-se responsáveis pelo atendimento aos clientes, pela parte operacional, acompanhamento de equipes, controles administrativos, relacionamento com fornecedores e inúmeras outras atividades (essas delegáveis, e um bom gestor sabe: delegar é diferente de largar para alguém fazer.). O resultado é previsível: sobrecarga, desgaste e perda de qualidade na gestão. Os grandes e bons, não se sustentam pelo número de condomínios que administram. Sustentam-se pela qualidade da sua estrutura e preparação da equipe de suporte ao síndico. Equipes preparadas, papéis bem definidos, processos claros, metodologia consistente e profissionais capacitados são os elementos que permitem crescer sem comprometer a entrega.
O risco não está em ter muitos condomínios. O risco está em crescer mais rápido do que a capacidade de gestão e entrega. O futuro da sindicatura profissional não está em descobrir como fazer mais sozinho. Está em aprender a construir estruturas capazes de sustentar o crescimento com qualidade, proximidade e responsabilidade. Vislumbro um mercado promissor para muitas carreiras que sequer existem ainda, mas vão existir. Porque acumular condomínios é relativamente simples.
O verdadeiro desafio é construir uma operação que continue entregando excelência à medida que cresce. No fim, a questão não é quanto você cresceu… mas como esse crescimento está sendo sustentado? Você, está crescendo sua sindicatura ou apenas acumulando condomínios? Você está construindo uma operação que sustenta o seu crescimento, ou apenas ampliando o seu nível de exaustão e comprometendo sua entrega e reputação no mercado?
Pense nisso!
Um grande abraço
ARIANE PADILHA – Professora, Psicóloga, Especialista em Gestão de Recursos Humanos e Marketing, Consultora e Síndica Profissional da Fator G Condomínios. Idealizadora e Diretora da ECC – Escola de Carreiras Condominiais.
