Reputação: patrimônio intransferível
Você já pensou no que falam de você quando você sai do condomínio? Quando termina a assembleia? A resposta para essa pergunta diz muito mais sobre sua carreira do que qualquer currículo, certificado ou perfil nas redes sociais.Porque reputação não é aquilo que você diz sobre si mesmo. É aquilo que as pessoas dizem quando você não está presente. Existe uma conversa sobre você em cada condomínio que administra. A pergunta é: ela reforça ou enfraquece sua reputação?
Há tempos venho querendo abordar esse tema por aqui e que renderiam várias edições da coluna. Na primeira edição da Revista dos Condomínios, em 2021, a minha primeira coluna se chamou: Uma identidade em construção. Acredito que abordar o tema “reputação”, seja uma evolução da identidade que viemos construindo ao longo desses anos. Hoje vemos muitos síndicos profissionais investindo tempo e dinheiro em cursos, tecnologia, redes sociais, marketing e captação de clientes, mas negligenciam o ativo mais valioso da sua carreira: a reputação. Sua reputação não é construída por um bom discurso ou por um perfil atraente nas redes sociais. É construída diariamente, pelas suas escolhas, pela postura e, principalmente, pela forma como cada síndico se comporta diante dos condôminos, fornecedores, conselhos e colegas de profissão. Infelizmente, ainda vemos profissionais não comprometidos com os resultados de uma boa gestão, assumindo mais condomínios do que sua estrutura e capacidade de entrega, expondo situações de conflitos em redes sociais, adotando posturas incompatíveis com a responsabilidade do cargo e, depois, questionando por que não são respeitados ou valorizados.
Respeito não nasce do cargo que ocupamos. Nasce da postura que adotamos. Antes de cobrar reconhecimento do mercado, talvez seja necessário exercitar algo que todo líder deveria cultivar: a autocrítica. Ter humildade para reconhecer que nossas atitudes comunicam muito mais do que nossos discursos. Respeito não se exige, credibilidade não se compra, reputação não se improvisa. Ela é consequência. É preciso ter coragem para perguntar: que imagem minhas atitudes estão construindo? Uma boa reputação pode levar anos para ser construída e poucos minutos para ser comprometida. E a cada decepção, a cada fraude, a cada mal resultado da uma gestão de um, dois, três síndicos, vai se construindo a reputação de uma profissão.
A reputação de uma profissão não é construída pelo discurso dos seus melhores profissionais. É construída pela percepção que o mercado forma sobre a categoria como um todo. Há tempos venho acompanhando (e me frustrando) publicações nas redes sociais em posts sobre síndicos e condomínios, ou ainda ouvindo relatos de amigos sobre suas experiências com profissionais da área. Basta surgir uma postagem envolvendo síndicos profissionais para que apareçam comentários generalizando a atuação da categoria: “só querem ganhar dinheiro”, “não aparecem no condomínio”, “não resolvem nada”, “são todos iguais” “aqui não deu certo”. São generalizações, desconfiança e críticas. É injusto afirmar que representam todos os síndicos? Sem dúvidas. Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: por que essa percepção ainda encontra espaço e eco nas redes sociais? Toda vez que um profissional atua sem ética, sem preparo ou sem responsabilidade, não compromete apenas sua própria imagem.
Contribui para desgastar a reputação de uma profissão inteira. Se queremos um mercado mais valorizado, mais respeitado e mais profissional, a mudança começa em cada um de nós. Porque reputação não é marketing. É patrimônio. E o patrimônio mais valioso de um síndico não é o número de condomínios que administra, mas a confiança que consegue inspirar por onde passa. A reputação não é construída pelo número de condomínios administrados, mas pela forma como eles foram administrados.
Durante anos tenho defendido a profissionalização da gestão condominial. Falei sobre gestão e liderança como principais papéis do síndico, quando ninguém falava. Falei sobre estratégia, para trazer a técnica, o método, o planejamento e a visão de longo prazo. Agora, se queremos que o mercado reconheça o valor da sindicatura profissional, talvez a primeira pergunta não seja o que pensam de nós.
A pergunta é: Afinal, que imagem nós, como categoria, estamos deixando para o mercado? Quem sabe começar por: cumprir o que promete, tomar decisões éticas, fazer o que precisa ser feito, mesmo quando impopular, comunicar-se com transparência, buscar atualização constante, tratar todos com respeito, manter coerência entre discurso e prática e entre o que vende e o que entrega.
E construiremos uma profissão reconhecida e valorizada no mercado.
Um grande abraço.
ARIANE PADILHA – Professora, Psicóloga, Especialista em Gestão de Recursos Humanos e Marketing, Consultora e Síndica Profissional da Fator G Condomínios. Idealizadora e Diretora da ECC – Escola de Carreiras Condominiais.
