Inteligência artificial ganha espaço na gestão condominial e promete mais eficiência a síndicos e administradoras
Plataforma automatiza tarefas operacionais, reduz tempo gasto com documentos e amplia a capacidade de atendimento das administradoras e qualidade da gestão dos síndicos
À inteligência artificial já deixou de ser uma tecnologia restrita a grandes empresas ou setores altamente especializados. Cada vez mais presente no cotidiano dos negócios, ela começa a transformar também a gestão condominial, um segmento historicamente marcado por processos operacionais intensivos, grande volume documental e demandas constantes de atendimento. Nesse cenário, síndicos e administradoras de condomínios têm buscado ferramentas capazes de automatizar rotinas, reduzir retrabalho e aumentar a produtividade das equipes sem comprometer a qualidade dos serviços prestados. O principal salto de eficiência do setor não virá apenas de mais pessoas, mas de operações mais inteligentes. Uma das iniciativas voltadas para esse mercado é a utilização da Inteligência Artificial. Para melhor entender como a IA pode promover maior produtividade e aumentar a qualidade da gestão fomos conversar com a diretora de Produtos e Tecnologia da Group Software, Carla Ferreira de Almeida, e entender um pouco sobre o funcionamento da Group Inteligência Artificial (GIA), plataforma que atua diretamente nos processos de gestão de condomínios. Segundo Carla Almeida, a proposta da ferramenta é funcionar como uma camada de inteligência integrada aos sistemas já utilizados pelas empresas do setor.
A especialista explica que “a GIA não foi pensada como uma ferramenta isolada, mas como uma camada de inteligência embarcada nos sistemas utilizados pelas equipes operacionais, financeiras, administrativas e de atendimento. A plataforma trabalha a partir do contexto real da operação condominial, utilizando informações vinculadas aos condomínios geridos com foco na automatização de tarefas, estruturação de documentos e apoio a consultas”. Diferentemente de soluções genéricas de inteligência artificial, a plataforma em questão utiliza informações como atas, convenções, regimentos internos, editais, listas de presença, resultados de votação, e outros documentos próprios dos condomínios administrados, como arquivos-fonte. Isso permite que “as respostas e automações sejam realizadas considerando a realidade específica de cada cliente” – considera a diretora. A Inteligência Artificial está mostrando para as administradoras o que o ERP foi para a profissionalização da gestão condominial. Para Rodrigo Monteiro, CEO da Group Software, o setor vive uma transformação estrutural semelhante à observada durante o processo de digitalização das empresas.
“A inteligência artificial está promovendo uma transformação semelhante a que a digitalização trouxe ao mercado, anos atrás. O setor de condomínios e administradoras sempre foi muito intensivo em processos operacionais, documentação e atendimento. Então, a IA surge para aumentar a eficiência dessas operações, reduzindo tarefas repetitivas e permitindo que as equipes se concentrem em atividades mais estratégicas, como relacionamento com clientes, gestão e tomada de decisão”, discrimina o CEO da Group Software.
MENOS TRABALHO MANUAL, MAIS PRODUTIVIDADE
Entre as funcionalidades já disponíveis, uma das que mais têm chamado a atenção do mercado é a geração automática de atas de assembleia. A elaboração desse documento costuma ser uma das etapas mais trabalhosas da rotina das administradoras. Após reuniões, que frequentemente ultrapassam três horas de duração, profissionais precisam revisar gravações, conferir notas sobre o encontro, organizar votações e redigir o texto final. Com a GIA, esse processo é automatizado.
A plataforma recebe a transcrição da assembleia, interpreta o conteúdo discutido e gera uma ata estruturada, pronta para revisão. Carla Almeida destaca que “a geração automática de atas é uma das soluções mais transformadoras porque ataca uma dor recorrente das administradoras: o tempo gasto para formalizar assembleias. A plataforma identifica temas discutidos, organiza deliberações, registra encaminhamentos e considera os dados de votação disponíveis, reduzindo drasticamente o esforço operacional”. De acordo com a executiva, enquanto o modelo tradicional pode demandar horas ou até dias para conclusão do documento, a inteligência artificial consegue entregar uma versão estruturada em até 30 minutos após o encerramento da assembleia. “O ganho não está apenas na velocidade.
A solução contribui para padronizar a qualidade das atas, reduzir retrabalho, minimizar esquecimentos e liberar a equipe para atividades de maior valor, como análise e melhoria da experiência dos moradores dos condomínios atendidos”, lista a diretora.
PADRONIZAÇÃO DA QUALIDADE DOS EDITAIS E COMUNICADOS
Além das atas, a plataforma também automatiza a elaboração de editais de convocação e comunicados, auxiliando as administradoras na produção de documentos padronizados e reduzindo o risco de inconsistências. No caso dos comunicados, a inteligência artificial sugere textos a partir das orientações fornecidas pela equipe responsável. Carla explica como funciona: “a administradora informa o tema ou a necessidade de comunicação, e a GIA sugere um texto adequado ao contexto, com clareza, formalidade e padronização. Isso ajuda as equipes a produzirem mensagens mais objetivas e profissionais, mesmo diante de um volume elevado de demandas”.
DA RESISTÊNCIA À ADOÇÃO
Como acontece com toda inovação tecnológica, a chegada da Inteligência Artificial ao mercado condominial ainda desperta dúvidas em parte dos profissionais do setor. Questões relacionadas à “adaptação das equipes, mudanças nos processos de trabalho e confiabilidade das ferramentas costumam estar entre as principais preocupações de administradoras que começam a avaliar esse tipo de solução” – identifica a diretora. Para Rodrigo Monteiro, esse cenário é natural e acompanha praticamente todas as grandes transformações tecnológicas. “Toda inovação gera dúvidas, mas temos percebido que a resistência vem diminuindo rapidamente à medida que os clientes entendem os benefícios práticos da tecnologia”, afirma. Segundo ele, um dos principais desafios é mostrar que a inteligência artificial não tem como objetivo substituir a atuação humana.
O CEO explica: “nosso papel é demonstrar que a IA não substitui profissionais, mas potencializa sua capacidade de atuação. Trabalhamos com educação, demonstração de resultados e implementação gradual, para que a adoção aconteça de forma natural e segura”.
RESULTADOS VÊM COM O TEMPO
À medida que os resultados começam a aparecer, a percepção do mercado também muda. Para Carla Almeida, a Inteligência Artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar parte da estrutura operacional das administradoras. Almeida destaca que “essa evolução representa uma mudança importante para o mercado condominial.
A Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade individual e passa a se tornar uma infraestrutura operacional para administradoras que buscam escala, eficiência e diferenciação competitiva”. De acordo com a executiva, os ganhos vão além da automação de tarefas pontuais. “Para administradoras de condomínios e gestores, o impacto é claro: mais produtividade, menor dependência de processos manuais, mais padronização, mais velocidade nas entregas e maior capacidade de crescimento com controle”, afirma a especialista.
Nesse contexto, a adoção da Inteligência Artificial passa a ser vista não apenas como uma inovação tecnológica, mas como uma ferramenta estratégica para enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais dinâmico e exigente. Com a GIA, a Group Software dá um salto nesse movimento, inaugurando uma nova fase da gestão condominial.
SEGURANÇA E SUPERVISÃO HUMANA
Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas destacam que a Inteligência Artificial ainda atua como ferramenta de apoio e não substitui a supervisão humana. “Na plataforma da Group Software, todos os conteúdos gerados passam por validação antes de serem utilizados. A plataforma cria, organiza e sugere, mas a decisão final permanece humana. As equipes revisam, ajustam e aprovam os conteúdos antes da utilização final”, conta Carla Almeida sobre o processo de produção.
E, Rodrigo Monteiro, acrescenta que a segurança da informação também foi um dos pilares considerados durante o desenvolvimento da plataforma.
“A GIA foi desenvolvida para atuar dentro de um ambiente controlado e integrado aos sistemas da Group Software, respeitando boas práticas de proteção de dados em conformidade com a LGPD. As informações geradas passam por validação humana, garantindo controle, transparência e segurança operacional”, garante.
O FUTURO DA GESTÃO CONDOMINIAL
A expectativa da empresa é que a Inteligência Artificial avance além da produção de documentos e consultas, passando a executar atividades diretamente dentro dos sistemas utilizados pelas administradoras.
Segundo Rodrigo Monteiro, o futuro está na criação de agentes especializados capazes de apoiar processos administrativos, financeiros e de atendimento de forma integrada. “Acreditamos que a Inteligência Artificial evoluirá de uma ferramenta de apoio para uma camada operacional integrada à gestão. Nossa visão é tornar a IA uma infraestrutura estratégica para que administradoras possam crescer com mais eficiência, qualidade e escalabilidade”, sustenta. Para Carla Almeida, o principal impacto será permitir que as administradoras ampliem sua capacidade operacional de atendimento sem depender de um crescimento proporcional das equipes.
“A inteligência artificial não substitui profissionais. Ela reduz o peso das tarefas repetitivas e permite que as pessoas dediquem mais tempo à análise, ao relacionamento com clientes, à prevenção de problemas e à gestão da qualidade da operação”, conclui.
CARLA FERREIRA DE ALMEIDA Diretora de Produtos e Tecnologia da Group Software, com atuação atualmente em SaaS B2B, com mais de 15 anos de experiência, atua na construção de produtos e times de alta performance com foco em impacto real no negócio.
RODRIGO MONTEIRO CEO da Group Software, investidor, empreendedor serial e entusiasta de inovação.
