Um mercado promissor
O mercado condominial vive um dos momentos mais promissores da sua história. Os condomínios cresceram, as estruturas se tornaram mais complexas, os serviços aumentaram e a exigência por profissionalização também. O síndico se capacitou, se especializou e passou a exigir mais dos prestadores. Hoje, faz cada vez mais sentido falar sobre gestão, desempenho, liderança, experiência do morador e eficiência operacional dentro dos condomínios. Felizmente, não sou mais uma voz solitária trazendo esses temas para o mercado. Mas, ao mesmo tempo em que o mercado cresce, cresce também um problema que se torna cada vez mais evidente: a sobrecarga dos profissionais que atuam no setor. Encontramos síndicos exaustos, operando no limite, acumulando funções, equilibrando vários pratos e tentando crescer sem estrutura suficiente para sustentar esse crescimento. Temos um mercado promissor, mas ainda pouco profissionalizado em muitos aspectos.
E talvez uma das maiores contradições esteja exatamente aí: existem oportunidades, mas faltam profissionais preparados para ocupá-las de maneira estratégica e sustentável. O mercado condominial sempre atuou de forma extremamente técnica e operacional, com pouca atenção para temas ligados à gestão, liderança e desenvolvimento humano. Quando comecei a abordar esses assuntos eram vistos como distantes da prática da sindicatura. Mas o mercado evoluiu e hoje entendemos que administrar condomínios vai muito além de resolver os problemas operacionais e apagar incêndios. Agora, acredito que o setor se aproxima de uma nova transformação necessária: compreender a importância das carreiras que sustentam a gestão condominial.
Ao longo dos anos, observando a rotina da gestão e formando síndicos profissionais, percebi que o síndico assumiu sozinho funções que exigiriam diferentes especialidades, competências técnicas e perfis profissionais distintos. Da estratégia à operação, ele tenta abraçar o mundo. Mas quem disse que precisa ser sozinho? Sempre defendi que a sindicatura não é escalável. Observando modelos de negócios que não deram certo na sindicatura profissional, a única forma sustentável de empreender nesse mercado: construir estrutura e se posicionar no lugar de gestor e líder dessa operação, não abrindo mão da responsabilidade imposta ao cargo/função de síndico. Isso quer dizer, se posicionar no estratégico e ter apoio, de forma estruturada (organizada e capacitada para isso) para suporte na gestão ao síndico.
O futuro do setor não está em síndicos que fazem tudo. Está em operações organizadas, equipes preparadas, funções bem definidas e profissionais qualificados para sustentar o crescimento com qualidade e segurança. Proponho, começarmos a olhar para o mercado condominial também como um caminho com muitas oportunidades para diferentes perfis. Profissionalizar o setor, também significa desenvolver pessoas preparadas para sustentar toda a engrenagem da gestão condominial. Oportunidades o mercado já possui. Agora, o grande desafio será preparar pessoas e construir estruturas capazes de sustentar, de forma madura e profissional, todo o potencial de crescimento que o setor ainda possui.
Um grande abraço.
ARIANE PADILHA – Professora, Psicóloga, Especialista em Gestão de Recursos Humanos e Marketing, Consultora e Síndica Profissional da Fator G Condomínios. Idealizadora e Diretora da ECC – Escola de Carreiras Condominiais.
